Glasgow + Outer Hebrides

(para quem nao quiser ler tudo, pode saltar directamente para as fotos carregando aqui) 

Já há muito tempo que tinhamos visto o anúncio do turismo escoces sobre as ilhas Hebrides (ler hebredies). Paisagens deslumbrantes, sitios para actividades de ar livre e praias com aspecto tropical… No entanto, ao olhar para um mapa vemos que estas ilhas ficam no extremo norte da Escócia, a uma latitude mais polar que tropical. Como tal, o encanto desaparece depressa. Até há uns meses, enquanto decidiamos o que fazer para aproveitar os dias que a Raínha nos deu de feriado, em que já um pouco em cima da hora chegámos ‘a conclusao que teríamos de ficar pelo Reino. E aí lembrámo-nos das Hebrides.

 

Durante uma semana, que comecou em Glasgow, passeámos pelas ilhas “exteriores” do arquipélago (Outer Hebrides) com o S. ao volante para variar.

 

Glasgow foi para mim uma óptima surpresa. Apesar de termos apenas 24 horas na cidade, deu para visitar a escola de artes e almocar chá das 5 numa das salas de chá desenhadas pelo Mackintosh.

 

Seguimos para a universidade onde, ao passear num pátio colunado onde nao se via vivalma, comecou a ecoar uma gaita de foles. De trás de uma coluna apareceu um escoces bem jeitoso e vestido a rigor (acompanhado da gaita de foles) assim que a música acabou. Nao sei a razao, mas foi uma cena completamente surreal.

 

Acabámos o dia em Ashton Lane onde muita gente de todas as idades, cores e feitios se encontrava a aproveitar os últimos raios de sol do dia nos pátios, esplanadas e jardins dos pubs.

 

Na manha seguinte voámos para as ilhas num aviao minúsculo com hélices e pouco mais que 20 lugares. A primeira imagem foi o aterrar, assim mesmo ‘a beirinha do mar com um azul fascinante. Depois foi pegar no carro, seguir para o b&b para pousar a mala e procurar uma loja aberta para comprar comida; pois era domingo e ao domingo está tudo fechado. Tudo menos as portas das casas, que pelo que percebemos estao sempre abertas para quem quiser entrar.

 

Quando pegámos no carro pedimos um tom-tom. O tipo da agencia deu-nos um folheto das ilhas com um mapa com duas ou tres estradas marcadas e disse que nao era preciso, que o mapa era suficiente. Eu já estava a prever ter de andar a fazer orientacao com o mapa do telefone mas ele tinha razao. Nao há mais que aquelas duas ou tres estradas, portanto nao dá para enganar.

 

Ou seja, as Hebrides sao uma data de pequenas aldeias, onde todos se conhecem e confiam. As portas das casas estao abertas, as pessoas cumprimentam-se todas quando se cruzam, independentemente de se conhecerem ou nao, e os animais (entenda-se ovelhas) andam por ali ‘a solta.

Muitas das lojas, servicos, centros culturais e afins por onde passámos eram comunitários, geridos pelos habitantes da povoacao mais próxima e recheados de produtos e artesanato locais.

 

As pessoas sao super simpáticas, e muitos se espantaram com a nossa visita (a maioria dos turistas que encontrámos eram Escoceses, Americanos ou Alemaes, e muitos já com idade para estarem reformados). A comida, como em muitos sítios onde é frio e/ou se vive do trabalho no campo, é boa mas em quantidades assustadoras. Só para terem uma ideia, no nosso primeiro jantar pedi uma barriga de porco. Normalmente isto é um naco de carne alto e que faz lembrar leitao. Desta vez era do tamanho de um leitao recém nascido!

 

As paisagens, tal como no anúncio, eram impecáveis. Claro que o facto de termos tido sol o tempo todo ajudou, ainda mais porque o resto do Reino estava coberto de núvens e chegaram a haver inundacoes no país de Gales. Parece que o sol gosta mais de nós que da Raínha!

Apesar do sol as temperaturas nao eram assim muito altas no entanto o sol brilhou todos os dias incessantemente das 2 da manha ‘as 11 da noite. A única vez que experienciei isto foi quando vivi na Noruega, e agora tirei todo o partido da situacao, aproveitando para passear depois do jantar e ver a paisagem, porque os locais para visitar fechavam o mais tardar ‘as 5 e as cozinhas dos restaurantes aí pelas 8.30 também.

 

Voltando ao anúncio:

– Paisagens deslumbrantes: sem dúvida.

– Sitios para actividades de ar livre: fartámo-nos de andar!

– Praias com aspecto tropical: o aspecto é sem dúvida tropical, mas nao me apanham lá de bikini!

 

Infelizmente nao tivémos oportunidade de aterrar na praia nem ver papagaios do mar, portanto temos de voltar e ir ‘as ilhas que nos faltam (Barra e St. Kilda)!

 

Agora a parte arquitectónica que me faltou: as casas. A primeira impressao foi que as casas em geral nao eram bonitas e pareciam todas saídas da mesma caixa de pré-fabricados, com o seu tom acinzentado e uma chaminé em cada empena. Claro que depois descobri porque. Estas casas sao relativamente recentes ‘as ilhas.

A construcao tradicional (black house) de paredes em pedra e telhados de colmo, foi utilizada até aos anos 70 em várias localidades. As casas “feias” (white house) foram uma importacao pós guerra dos conhecimentos técnicos da Escócia “continental” adaptados ao modo de vida e clima locais para criar uma casa “moderna”.

 * (if you don’t feel like reading it all, just jump to the photos by clicking here) 

Some time ago we’ve seen an ad from the Scottish Tourism on the Hebrides: Stunning scenery, loads of outdoor activities and tropical-looking beaches … However, when looking at a map we realise that these islands are in the far north of Scotland, at a latitude closer to the pole than to the tropics. So the charm faded quickly.

Until a few months ago while we decided what to do to enjoy the holidays that the Queen gifted us this year. We’ve reached the conclusion that we had to stay in the Kingdom, and re recalled the Hebrides.

For one week, which started in Glasgow, we travelled through the islands of the Outer Hebrides with S. behind the wheel for a change.

Glasgow was a great surprise. Although we had only 24 hours in the city, we managed to visit the art school and have a tea for lunch at one of Mackintosh’s tea rooms.

From there we followed to the university where the sound of a bagpipe echoed in an apparently empty colonnaded courtyard. Suddenly, as the music stopped, a bit of Scottish eye-candy emerged from behind a column accompanied by the bagpipe. I do not know the reason, but it was a surreal scene completely.

We ended the day in Ashton Lane where loads of people of all ages, colours and shapes were enjoying the last rays of sunshine in the many courtyards, terraces and gardens that each pub seemed to have.
The next morning we flew to the islands in a tiny plane with propellers and little more than 20 seats. The first impression was landing too close to a fascinating blue. Then we picked up the car, drove to the b&b to leave our bags and search for an open store to buy food, for it was Sunday and on Sunday everything is closed. Everything but the doors of the houses, which from what we understood are always open to whoever wants to enter.

When we rented the car we asked for a sat-nav. The guy of the agency gave us a tourist brochure with a map of the islands with two or three roads marked on and said there was no need for the sat-nav, that the map would suffice. I got quite concerned and was already foreseeing attempting to use the map app on my phone with low battery/out of range and having to resource to my orienteering skills, but the guy was right. There are no more than those two or three roads, so you can’t get lost.

The Hebrides are a bunch of small villages where everyone knows and trust each other. The doors of the houses are always unlocked; people greet each other when they walk past, whether they know you or not; the animals (i.e. sheep) are out on the loose and all over the place.
Many of the shops, services, cultural centers, etc which we’ve seen were owned and managed by the community and filled with local produce and crafts.

The people are extremely friendly, and many were surprised with our visit (most tourists we met were Scottish, American or German, and they were old enough to be retired). The food, as in many places where it is cold and / or people work outdoors, is good but an insane amount. Just so that you have an idea, on our first dinner I ordered a pork belly. Normally this is a thick cut of meat which reminds me of some food from home. This particular piece of meat was the size of a brick, but still extremely tender and tasty.

The landscape, as in the ad, was amazing. Of course the sun shining every day helped – in particular because the rest of the Kingdom was covered with clouds and there were even floods in Wales. It seems that the sun likes us better than the Queen!
Despite the sunshine, the temperatures were not so high but the sun shone non-stop from 2 am to 11 pm. The only time I’ve experienced this was when I lived in Norway, and now I took full advantage of it, by sightseeing after dinner, as the places to visit closed no later than ‘the 5 and the kitchens of the restaurants by 8:30 as well.

Back to the ad:
– Stunning scenery: no doubt.
– Outdoor activities: we walked a lot!
– Tropical Beaches: the look is undoubtedly tropical, but no one will ever catch me there in a bikini!

Unfortunately, we had no opportunity to land on the beach or see puffins, so we have to go back and go the islands we’ve missed (Barra and St Kilda)!

Now the architecture bit: the houses. My first impression was that, in general, the houses were not that nice, and they all looked the same prefabricated buildings, with its greyish tone and a chimney in each end. Later I came to understand these houses. They are relatively new to the islands.

The traditional “black house” construction of stone walls and thatched roofs, was used up to the 70s in various locations, however in the post-war these new “white houses” became a symbol of modernity and were based on technical knowledge brought from mainland Scotland adapted to the local lifestyle and climate.

 

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