South India

( A quem nao apetecer ler isto tudo pode saltar imediatamente para as fotos)

 

Após vários anos a chatear o S. para viajarmos pela India, fomos fazer um passeio de carro pelo Sul. Apesar de nao ter feito parte da organizacao da viagem por nao conhecer nada, fui sendo posta ao corrente dos planos por email, e sabia de antemao que íamos ‘a cidade de Mysore, para a selva (ou floresta depende da realidade de cada um) em Bandipur e para uma plantacao de café em Coorg.

 

Saímos de Goa de madrugada, atravessámos a cordilheira dos “Ghats Ocidentais”, seguimos pela “Nice Road”  e chegámos a Mysore ‘a noite. Pouco mais vi que o palácio enquanto procuravamos um hotel. No dia seguinte arranjámos um guia que nos acompanhou cidade fora e ia falando de um modo semi-cómico sobre a cidade, os edifícios, e um pouco sobre a vida dele. Só para terem uma ideia, ao passar por um edifício grande com um muro bem comprido ‘a volta ele vira-se e diz: “Ali moram umas pessoas…o governo paga-lhes tudo: alojamento, comida, roupa lavada… é a prisao!” 

 

A cidade é muito bonita e está particularmente limpa e bem conservada. O palácio, que ocupa uma imensidao no meio da cidade, faz lembrar o Pavillion em Brighton devido ‘a misturada de ornamento oriental e ocidental. Colunas dóricas decoradas com cornucópias e muita cor e muito dourado fazem do edifício algo que vale a pena visitar. Ao entrar, reparei num sinal que dizia que ao domingo nao havia espectáculo, no entanto disseram-nos que havia e decidimos ficar por ali até ao anoitecer. Lentamente, como se alguém andasse de interruptor em interruptor, as luzes iam acendendo e a banda comecou a tocar. Foi uma pena quando uma bátega desabou sobre o povo e tivemos de ir a correr para o carro.

 

No dia seguinte fomos para Bandipur em busca do “Jungle Lodge” que tinhamos reservado. Pela primeira vez dei de caras com um sítio cujo site na internet deixa muito a desejar relativamente ao que se encontra. Os bungalows sao altamente, a comida óptima e o staff e guardas florestais que lá trabalham sao impecáveis.

 

Assim que chegámos fomos dar um passeio pela estrada nacional que atravessa o parque e demos logo de caras com veados e pavoes. Os passeios seguintes seriam safaris na selva ao anoitecer e ao nascer do dia.

No primeiro safari, assim que entramos no trilho, o guarda que conduzia o nosso jipe apontou para uma árvore aí a 50m e disse que estava lá um leopardo. A minha reaccao foi pensar “ya, deve ser de peluche só para a malta dizer que viu qualquer coisa”. Só comecei a acreditar no que via quando o bicho comecou a mexer e várias pessoas diziam que ele tinha caca (ler cassa) uns ramos abaixo. Depois do leopardo vimos passarada e veados, que passaram a ser tao banais que já ninguém fotografava.

 

Na manha seguinte (mais madrugada mas pronto) voltamos. Andámos as voltas entre veados e passaritos até vermos uma águia a cacar (novamente, ler cassar) uma cobra e a pousar numa árvore para a comer. “Brutal” pensei eu. Mas nem uma hora depois ia o jipe a virar para um trilho quando eu vejo um “gato”, assim a uns 15 metros, a atravessar o caminho. Devagar, sem ligar nenhuma ao jipe, e eu a tentar sussurar em grande excitacao “um leopardo! Um leopardo!”, ao que o guarda se vira e diz com ar reprovador “é um tigre”.  E pronto, vi um tigre a atravessar a estrada, a mandar a sua cagada matinal e a seguir caminho ‘a beira da água. Só por isto, valeu a pena! (Sim, porque eu ainda estava a pensar se o leopardo do dia anterior seria verdadeiro ou nao).

 

Nessa tarde voltámos e ainda antes de chegarmos aos trilhos, assim do meio do nada em plena estrada nacional um urso atravessa a correr mesmo ‘a nossa frente nao dando tempo a ninguém de pegar na máquina.

 

Na manha seguinte foi o último safari. Eu já estava mais que satisfeita e o passeio parecia estar a ser o menos fantástico: passarada, mangustos, veados, pavoes e galinhas do mato foram os animais vistos essa manha. Quando estávamos a regressar, o guarda avistou uma manada de elefantes. Eram 4 femeas e 2 ou 3 crias a pastar num monte. Aproximámo-nos ligeiramente pois elas podiam nao gostar e ficámos ali uns minutos, a ve-los comer.

 

Dali seguimos para Coorg  onde ficámos numa plantacao de café. O nosso bungalow era, literalmente, no meio da plantacao. Recomendo também este sítio pois para além da comida, das pessoas e do alojamento em sí, toda a plantacao é regida por principios de ecologia e conservacao da natureza que sao um exemplo a seguir.

 

Fomos recebidos ‘a chegada pela simpática gerente, que nos levou numa visita guiada ‘a plantacao. Durante o passeio ela mencionou que era a época dos pirilampos e que o nosso bungalow era um bom sítio para apreciar o espectáculo. A memória que tinha de pirilampos era nas noites de verao e que eles andavam sempre metidos nas silvas, o que tornava difícil a tarefa de os tentar apanhar. No entanto o que nós vimos nao tem nada a ver. Parecia assim o início da Guerra das Estrelas, a escuridao infinita e as luzes a piscar em sintonia. Eram milhoes, de tal maneira que era impossível dizer onde acabava o chao e comecavam as árvores porque havia pirilampos por todo o lado.

 

No dia seguinte fomos dar um passeio pelas redondezas com a gerente, que nos foi explicando um pouco mais sobre a fauna local. Sapos, borboletas, libelinhas, cobras e afins vao contribuindo para o controle das pragas e para manter o equilíbrio no ecossistema. Há também variadíssimos pássaros mas o meu conhecimento de cantos e assobios limita-se a poder dizer isto.

 

Nesta plantacao também há “civets” (nao encontro traducao para isto, só me aparece algália…). o civet é um animal que basicamente “produz” o café mais caro do mundo ao cagar os graos depois de comer o fruto do café. Quanto ao café em si um dia comentarei…

 

O nosso bungalow, como disse acima, era no meio da plantacao. Fantástico devido ao espectáculo que proporcinou e com um alpendre óptimo para dormir a sesta, o bungalow tinha um visitante misterioso que gostava de sabonetes, e nos levou 3 sabonetes em 2 dias, visto a parede da casa-de-banho ter aberturas para ventilacao. Ainda hoje nao sabemos onde andam os sabonetes!

 

Após este passeio voltámos a Goa onde o calor e a humidade subiram a níveis que mal me lembrava e que, surpreendentemente, me fizeram gostar dos sitios que normalmente acho frios por causa do ar condicionado ligado 24 horas. Uns dias de praia e eventos de família e pronto, há que voltar ao trabalho.

* (if you don’t feel like reading all this, just have a look at the photos)

 

After many years hassling S to show me some other parts of his country, we finally got to do a road trip in South India. I didn’t take part on the preparations of it, as I had no idea about the best places to go, but I was kept updated by  e-mail regarding the route and places to stay. I knew ahead that we were going to the city of Mysore; to the jungle (read forest) in Bandipur and to a coffee plantation in Coorg.

 

After a day drive from Goa, crossing the Western Ghats and through the Nice Road, we have reached Mysore in the evening. The first impression was that it was a large city with a huge palace. The next day we got a guide and drove around.

The city is beautiful, and its beauty is enhanced by the large avenues, the well kept buildings and the general cleanliness. Our guide was a funny guy, telling us about the city, the monuments we have visited and about himself, but always in a peculiar way. Just for you to have an idea, as we were driving pass a large building with a very long compound wall, he clarified: “In there live some people… the government pays for everything: accommodation, food, laundry….is the prison!”

In the evening we visited the palace, and it is impressive. It reminded me of the Pavillion in Brigton, but at a much larger scale. Its interiors were a mix of eastern and western architectural features and ornaments, full of colour and gold. We were told that there would be a sound and light display at 7, and despite the sign at the entrance stating otherwise, we decided to wait. And slowly, as if one single person was going around switching on the lights, the palace became illuminated and the band started playing. Unfortunately an out-of-season rain spoiled the show as we had to run for shelter.

 

We then drove to Bandipur National Park looking for the Jungle Lodge. Probably for the first time, I came across a place whose website doesn’t make judgment to. The accommodation was great, the food was superb and all the staff and forest guards very friendly and knowledgeable.

 

We took our first drive on the main road that crosses the park and came across several deer and peacocks. The following drives would be safaris into the forest at sunset and sunrise.

In the first safari, just as we entered the dirt road, the guard driving our jeep pointed at a tree around 50 meters away and said there was a leopard. I confess that I thought it was a fake one, just so that we could say “we’ve seen some wildlife”. It wasn’t until it moved and everyone was whispering about the pray some branches below that I believe that was the real thing. Several birds and deer followed, and they became so common in all the safaris that we stopped paying attention to them.

 

The next morning we went again. We drove around the park for a while until we spotted an eagle hunting a snake and landing on a tree to eat it. That was quite something! But nothing as some time later, as the jeep was taking a curve and I spotted, some 15 meters ahead, a tiger crossing the path. She walked slowly, ignoring us and I was excitedly whispering and pointing “A leopard! A leopard!”, to which the guard replied with a disapproving look “It’s a tiger”. And off she went, for her morning crap and walk by the lake. A few seconds before or after and we would never have seen her. That made my day!

 

Later that day we went again, and before reaching the restricted areas, where trucks, buses and cars circulate, a bear ran across the main road not giving us time to grab the cameras.

 

The next morning, and last safari, we saw some more birds eating snakes, mongooses, more deer, peacock and jungle fowl. As the safari was about to end the guard that drove us spotted a herd of elephants. 4 females with 2 or 3 babies grazing on a hill. We drove a bit closer, but not too close as they were very protective, and we just stayed there for a few minutes watching them eating.

 

Then we drove to Coorg. We were staying at Mojo coffee plantation and our accommodation, the Plantation Cottage, was literally in the middle of it. This is another great place to stay and the eco-conscience of the place is something to praise. Once again the food was amazing, the staff were very nice and regarding the cottage you’ll read some more below.

On arrival the manager greeted us and took us for a walk in the plantation. She mentioned that it was the fireflies season and our cottage was a good place for the show. However I have never imagined it would be so amazing. I recall fireflies in the summer in Portugal, and how they kept going into the blackberry bushes, making it difficult to catch them. Here was something more like the start of the Star Wars movies. That immense darkness and millions of fireflies blinking in sync, in a way that you couldn’t tell where the ground finished and the trees started. If you stretched an arm you would be able to grab a few.

 

The next day we went for a walk outside the plantation and learned a bit about the local wildlife. Frogs, butterflies, dragonflies, snakes and other animals live in the plantation and contribute to the balance of the entire ecosystem. The amount of birds is also amazing, as you could hear more thant 10 different “songs” from morning to evening.

In this plantation they also have civet cats. This animal “produces” the most expensive coffee in the world by pooping the beans after eating the coffee fruit. More comments on it later…

 

Now to the cottage. Only the fireflies show provided by its location makes it worth. The cottage is fully solar powered and it has a nice porch to spend the warmest hours of the day. However, it seems to have a visitor with a peculiar taste for soaps, as in 2 days at least 3 soaps mysteriously disappeared from our  “jallied” (wall built with open or spaced blocks to create ventilation) bathrooms.

 

Following this we drove back to Goa where the temperatures and humidity have reached such high values that for once I never felt cold in the extremely ACed places. After a few beach days and several family activities we came back to work.

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