Toronto

Uns dias antes de partir para a minha primeira “business trip” comecei-me a informar sobre a cidade, o clima e os hábitos locais. Avisaram-me que estava imenso frio e tentara-me fazer acreditar que se podia andar de trenó na cidade (daqueles puxados por cães). Pelo sim pelo não meti na mala uma “long underwear” e outras roupas que usei quando estive na Noruega.

 

A aterragem em Toronto foi calmíssima apesar da tempestade de neve e a viagem até ao hotel foi em animada conversa com o Sr. Kamal.

O Sr. Kamal é taxista em Toronto mas nasceu na Índia. Nos anos 70 mandou-se para Toronto e namorou com uma portuguesa, com quem queria casar. Mas os pais dela não gostaram da ideia e casaram a Maria com um Rego. O Sr. Kamal casou com uma indiana com quem vai de ferias ao Dubai anualmente mas continua muito amigo da Maria, a quem telefona todos os Natais.

 

Fiquei num hotel com vista para a torre CN (coisa que não é assim tão difícil em Toronto) e apercebi-me que me tinha esquecido de como se anda na neve quando decidi procurar o escritório onde nos dias seguintes teria de trabalhar. Felizmente escolheram um hotel a 300 e poucos metros do escritório mas ainda assim demorei uns bons 5 minutos a tentar não cair até à porta.

O escritório é diferente do de Londres (como seria de esperar) e foi engraçado conhecer finalmente cara a cara pessoas que conhecia apenas por e-mail ou telefone. Acabei por almoçar e jantar com muitos deles o que foi muito bom, pois fiquei a conhecer sítios óptimos.

 

Na sexta à noite, para aproveitar o horário alargado, fui visitar o Royal Ontario Museum (ROM) que sofreu uma ampliação pelo Libeskind. Não gostei lá muito da obra, acho que não funciona como espaço de exposição (excepto para os dinossauros). Nessa mesma noite descobri que a comida típica canadiana é como a inglesa e que botas de montanha não são eternas.

 

Sábado acordei às seis da manha graças ao jet-lag e estive a ver as notícias canadianas em português, com anúncios portugueses no intervalo. É espantoso como a cada hora há um noticiário semelhante mas em línguas diferentes e com um resumo de 10 minutos de noticias do pais em questão. Foi um bocado triste ver notícias sobre um certo festival da canção luso-emigrante que parecia saído dos anos 70 mas é o que temos.

Curiosamente, houve bastante gente surpreendida por eu ser “portuguesa de Portugal” (coisa rara por aquelas bandas) mas em geral foram-me atribuídas nacionalidades mais “arábicas”.

 

Voltando à manha de sábado, depois das notícias e de 45 minutos no buffet de pequeno-almoço do hotel, iniciei o meu passeio turístico a comprar umas botas para poder andar. Arrisquei umas bolhas valentes mas tinha de ser. Segui a pé até ao Rogers Centre e CN Tower e dali apanhei o eléctrico para a Art Gallery of Ontario (AGO). Pelo caminho ainda descobri um edifício da Alsop para o Ontario College of Art & Design. Por essa altura fiquei com a impressão que Toronto é assim tipo uma caderneta de arquitectos com pelo menos um edifício-cromo especial por quarteirão.

 

A AGO, ao contrário do ROM, pareceu-me muito bem conseguida. Os espaços de exposição criam um percurso contínuo que nos vai levando através do edifício sem darmos conta.

No final aproveitei uma visita às escavações que estão a decorrer na Grange House em busca de uns “tesouros” escondidos por uma criada irlandesa no século XIX.

 

Quando sai da AGO dei por mim no meio de Chinatown com um nevão a aumentar de intensidade a cada passo que dava. Voltei ao eléctrico e segui para Union Station, na esperança de ver mais uns cromos e de uns raios de sol. O sol não apareceu mas os cromos lá estavam, agora concentrados. Pei, Mies e Calatrava entre outros não foram suficientes para me fazer ficar na rua por muito tempo. Por esta altura estariam uns -15 graus (que com o vento pareciam ainda mais negativos) e cortavam a cara. O frio era tanto que logo na quarta-feira à noite tive de ir a uma farmácia comprar cremes e unguentos para o eczema pois já tinha os lábios em sangue.

 

Voltando ao passeio. Depois de andar às voltas a tentar entrar nos espaços públicos destes edifícios decidi apanhar o metro para o City Hall. Erro crasso e típico de turistas é andar de metro em cidades desconhecidas. Em cima de terra ainda há referências, mas lá debaixo não há nada e, claro, sai na porta errada e tive de andar às voltas até descobrir as torres. Em frente ao City Hall as pessoas aproveitavam um ringue de patinagem e o calor dos fogareiros que aqueciam um metro em redor. Estava tudo preparado para iniciar o festival dessa noite e apesar do nevão que caía ouvi uns transeuntes a comentar em como estava um dia lindo (!)

 

Eram 4 da tarde e eu dei por encerrado o meu passeio no exterior. Decidi então aventurar-me na maior catedral consumista de Toronto onde provei os famosos donuts do Tim Horton’s. Como ainda tinha umas horas até ao jantar, aventurei-me pelo Path. O Path é um ao labirinto subterrâneo que se estende por 27Km e que liga vários edifícios comerciais e de serviços e dá acesso ao metro. A aventura durou pouco pois eu já estava de rastos e voltei para o hotel para descansar uma hora até ao jantar.

 

Para terminar a viagem em beleza, começou a nevar quando aterrei em Londres. E o nevão foi de tal maneira que estão +- 20 cm de neve lá  fora, o único transporte publico que ainda vai andando é o DLR e muita gente não conseguiu chegar ao trabalho.

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