Natal Tropical

E’ dia 24 de Dezembro de 2007 e estao 30 graus na rua. Aquela imagem de noite de Natal ‘a lareira nem me passa pela cabeca. Esta’ abafado, a única brisa que corre e’ forcada pelas ventoinhas de tecto. As pessoas andam pela rua atarefadas, nem parece a calmaria habitual! Cai a noite e a temperatura desce para os 20 e poucos graus. Lentamente, sente-se que e’ Natal. As casas estao enfeitadas com pequenas luzes e estrelas. Nalguns jardins, presepios que se assemelham ao dos bombeiros voluntarios de Coimbra tomam conta do espaco e atraem os olhares de quem passa. Por volta das onze da noite as familas saem de casa nos seus melhores fatos. As adolescentes confundem-se e aparecem vestidas para uma saida ‘a noite em Londres. Mini vestidos, stilettos que não foram desenhados para andar, maquiagem e cabelos como se de um desfile de moda se tratasse. Não, e’ a missa do galo, e toda a gente vai.

Depois de jantar dou uma espreitadela por cima do muro de casa, que da’ para a igreja de Dom Bosco. O campo de criquete esta’ cheio de gente e, num palco criado para o efeito, o paroco reza a missa que se vai estendendo por duas horas. Acabou a missa. Na pastelaria do Hotel Fidalgo os empregados acotovelam-se para tentar chegar a toda a gente. E’ o único sitio aberto, já’ passa das duas da manha e familias inteiras chegam para petiscar, conversar e comentar. Afinal, o jantar já’ la’ vai e o que alimenta o espirito não alimenta necessariamente o corpo. Para mais, com o calor que esta’, uma cervejinha cai sempre bem!

 

Dia 25, ao acordar, descubro alguns presentes ao lado da cama. Parece que o Pai Natal tambem passa por aqui!

Almocamos um bacalhau no forno com muito azeite, sorpotel (bom, este eu não comi) com sannas evinho tinto e seguimos para um mergulho na praia… sim, praia, porque o momento alto do dia sera’ o jantar, com toda a familia. Entretanto falo com a minha familia ao telefone. E’hora de almoco em Portugal, e estao todos a cantar o “Jingo Bel” e o “Hino Chines”.

Chegamos para jantar. São quase nove da noite e somos os primeiros. Os horarios sociais são tao diferentes de sitio para sitio… Aos poucos a casa vai ficando cheia. Se acham que eu tenho uma famila grande haviam de conhecer esta. O nosso maximo no almoco de Natal não chegou aos cinquenta, numero que aqui deve ter sido largamente ultrpassado!

Vai-se conversando e toma-se um copo. Os miudos comecam a distribuir os presentes pelas pessoas e correm pela casa toda a chamar quem não encontram. Findas as distribuicoes, serve-se o jantar, não sem antes haver uma oracao e alguns canticos, estes bem mais apropriados que os de la’ de casa 😉 E como diz o ditado: “barriga feita, companhia desfeita”, siga para casa que já se faz (bem) tarde!

Chegados a casa abrimos finalmente os presentes e vamos dormir, exaustos.

 

 


 

 

It’s the 24th December 2007 and the temperature is 30 degrees Celsius. The image of a typical Christmas night by the fire doesn’t cross my mind at all. It’s warm and the only breeze is caused by the ceiling fans. Everyone is out on the streets, busy as bees. This is not a typical day in Goa!

The night comes and the temperature drops to about 20 degrees. It’s Christmas and all the houses are decorated with beautiful Christmas lights and stars. Some have put cribs in their gardens, recreating full villages.

At eleven, people start leaving their houses and heading to the nearest church dressed in their best clothes. The teenagers seem dressed up for a night out in London: mini dresses, stilettos, hair and make up as if they had just popped out of a glamour magazine but it’s the midnight mass.

After dinner I sneak over the garden wall into the ground of Don Bosco’s church. The cricket field is packed with people and the priest is on a stage. We head to the cafe of Hotel Fidalgo just in time to get a table. It’s two o’clock in the morning and the has just finished. Entire families head to Fidalgo and the place gets so full that the waiters wish they were Shiva, the god with many arms, to be able to serve everyone.

 

On the 25th, when I get up I find that Santa passed by my bedside and dropped some presents. At the lunch table there’s a mix of Portuguese and Goan food: cod in the oven with olive oil, sorpotel and sannas and red wine. After the meal we head to the beach for a quick swim. Beach on Christmas day! In the meanwhile it is lunch time in Portugal and I call my family, who are singing their own version of “Jingle Bells” and of the Chinese national anthem.

In the evening there is the Christmas dinner with the entire family. We arrive at nine and are the first ones. Social timings are so different from place to place! People slowly start arriving and I grab a drink talk a bit with everyone, and meet some of the family that live abroad. The kids start distributing the presents around the house and, once they’re done, dinner is served, preceded with a prayer and some real Christmas songs. Dinner gets over very late and we head home, where we finally unwrap the gifts.

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4 thoughts on “Natal Tropical

  1. Gostei de te ver, de vos ver e de ver as cores da Índia!! Já tinha saudades!Foi um Natal diferente… 🙂 Fico à espera de mais!

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